EM CARTAZ

A ARTE PODE SER EU?

                A mostra A ARTE PODE SER EU? será aberta no Paço dos Açorianos a partir do dia 26 de junho trazendo a público o conjunto de obras doadas para a Pinacoteca Aldo Locatelli pelo advogado, executivo, gestor e colecionador Luiz Inácio de Medeiros.

Numa primeira mirada, chama atenção a variedade de estilos no conjunto doado. Ao longo de seis anos, entre 2015 e 2020, o colecionador generosamente repassou para o acervo da Prefeitura de Porto Alegre nove gravuras, três desenhos, duas pinturas, duas esculturas e uma tapeçaria – esta última com grandes dimensões. Tais obras foram produzidas por artistas brasileiros, argentinos, poloneses, japoneses, franceses e por um húngaro naturalizado americano. Ou seja, trata-se de um colecionador que imprimiu o seu fascínio global ao conjunto de peças amealhadas em inúmeras viagens, onde demonstrou interesse sobre diferentes linguagens, estilos, técnicas e temáticas. Acima de tudo, Luiz Inácio apreendeu novas informações estéticas e as trouxe à província natal, todavia sem descuidar do que era produzido em Porto Alegre, onde permaneceu até o final da vida.

              Datadas do século XIX até 2003, as obras transitam do figurativo de matriz expressionista, como a pintura de Maria Lídia Magliani ou o desenho de Babinski, até peças abstratas, tais como a gravura de Lapinski ou a tapeçaria de Carla Obino. A escultura, que representa um modelo feminino, de Nico Rocha coabitou o apartamento de Luiz Inácio com a peça abstrato-geométrica de Ladislas Segy, de modo que não é possível identificar um gosto específico ou predileção formal nas escolhas do colecionador. Muito mais nítido é um esboço autobiográfico: Luiz Inácio era amigo de Helena Segy, esposa de Ladislas, e seguia com atenção o trabalho do húngaro na divulgação da arte africana. Mas, Luiz Inácio também acompanhava com notório interesse a produção local – vide a presença de diversos gaúchos na coleção. Também coletava obras em outros países – por exemplo as xilogravuras do século XIX adquiridas no Japão na sua viagem de estudos, ou as gravuras de Rouault e Labisse, peças de notória importância compradas na França.

           Pela primeira vez apresentado no Paço dos Açorianos, o conjunto aponta sem dúvida o trajeto de um personagem fundamental para a compreensão do sistema das artes em Porto Alegre nas últimas décadas. Informado pelas mais diversas tendências internacionais, Luiz Inácio não perdeu por nenhum momento a conexão com a emergência de novos artistas gaúchos, os quais estimulava com suas aquisições. Neste sentido, o colecionador foi um agente econômico vital para o mercado cultural, interagindo com os galeristas, marchands e leiloeiros. Mas, acima de tudo, virou este homem discreto, eclético e cosmopolita um agente mobilizador e fomentador do desenvolvimento dos museus em Porto Alegre, seja através de seu papel como gestor ou através de doações - tal como este surpreendente conjunto repassado para a cidade de Porto Alegre.

As obras e o colecionador

        O museólogo e reconhecido investigador Ulpiano Bezerra de Meneses pensa que os objetos ou obras de arte por estarem permanentemente sujeitos a transformações de toda a espécie, em especial de sentidos, têm em si uma trajetória. Por possuírem então uma espécie de biografia, estão sujeitos, eles mesmos, à interação social. Nesse ponto, o pesquisador introduz um novo problema: a biografia das pessoas nos objetos. Tal sentença significa que, em muitos casos, as obras de arte podem representar a própria trajetória do colecionador, e neste caso, a coleção funciona como vetor de subjetividades. 

            O colecionador Luiz Inácio de Medeiros juntou ao longo da vida uma coleção valiosa e respeitável de obras de arte. No entanto, é difícil perceber nessa atividade um foco em alguma tipologia, escola de arte específica, ou algum artista que pudesse ter angariado sua predileção especial. Nas agradáveis conversas com Luiz Inácio, ficava evidente a relação quase direta entre o ato de adquirir objetos de arte e a sua experiência de vida em viagens, conhecimentos acadêmicos ou voltados à expertise profissional; sobretudo ao fortalecimento de laços pessoais e de amizades.

          O conjunto de obras apresentadas nesta exposição, que foram por ele doadas à Pinacoteca Aldo Locatelli ao longo de seis anos, não foge ao escopo de suporte pessoal de memórias e da construção da subjetividade de sua personalidade. É um conjunto diverso em técnicas, suportes e temáticas. No entanto, à ideia de diversidade que pode ser associada ao conjunto doado, é preferível utilizar o conceito de diversalidade, que também se refere à qualidade de convivência entre os diferentes, entretanto possui uma diferença sutil, mas importante, de ênfase na interação entre eles. 

         Assim, as obras doadas por Luiz Inácio podem ser vistas como reflexo de sua relação especial de amizade, respeito pelo trabalho, reconhecimento e conhecimento sobre a história da constituição da Pinacoteca Aldo Locatelli. Quer dizer, mais do que um olhar diversificado do colecionador, neste conjunto está uma perspectiva de interação com as demais obras de arte do acervo da Pinacoteca.

Luiz Inácio Franco de Medeiros (1943-2021)

        O porto-alegrense Luiz Inácio de Medeiros foi um homem que imprimiu a sua marca onde atuou, seja no meio empresarial ou cultural, onde ficou conhecido pelas gestões decisivas e inovadoras como Diretor do MARGS e, posteriormente, do Museu Julio de Castilhos.

       Teve atuação fundamental na consolidação do campo museal do estado, sendo o primeiro Museólogo registrado no Conselho Regional de Museologia e, também, o primeiro Presidente. Pela sua atuação, foi agraciado em 2010 com a Medalha do Mérito Museológico pelo Conselho Federal de Museologia.

        Como diretor do MARGS (1975-1979) foi o responsável pela transferência do Museu para a atual sede na Praça da Alfândega; modernizando a sua organização, adaptando tecnicamente o prédio histórico para as novas funções e promovendo projetos que levaram a arte ao público em geral, com o museu indo até às escolas, fábricas, ao Presídio Central e ao Hospital Psiquiátrico São Pedro.
       No Museu Julio de Castilhos (1983-1987), deu início às obras que ampliaram o espaço físico da instituição, levou o museu ao encontro do público através de passeios culturais no centro histórico de Porto Alegre, criou o laboratório de conservação e restauro e ajudou na fundação da Associação de Amigos.

       Foi um dos grandes doadores de obras para o Museu Julio de Castilhos e, também, para a Pinacoteca Aldo Locatelli. Em 2016 participou ativamente da fundação da Associação de Amigos das Pinacotecas de Porto Alegre – AAPIPA, sendo conselheiro da entidade por duas gestões.

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VISITAÇÃO E CONTATO

Pinacoteca Aldo Locatelli

Paço dos Açorianos

Praça Montevidéu, 10

Centro Histórico - Porto Alegre

fone: [55] (51) 3289-3735 

Segunda à sexta-feira

9h às 12h • 13h30 às 18h

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AÇÕES EDUCATIVAS

AGENDAMENTOS

Visitas guiadas às exposições da Pinacoteca Aldo Locatelli podem ser agendadas:
acervo@smc.prefpoa.com.br

[55] (51) 3289-3735

VISITA GUIADA

Visita de uma turma do Projovem Adolescente / FASC em 21 de março de 2018.

 

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A Associação das Pinacotecas de Porto Alegre – AAPIPA-  foi fundada em 2016 por um pequeno número de cidadãos  dispostos a uma tomada de ação efetiva em prol do desenvolvimento e difusão do circuito das artes na cidade de Porto Alegre. Seu engajamento se materializa no apoio as ações  e projetos das Pinacotecas Ruben Berta e Aldo Locatelli da Secretaria da Cultura da capital gaúcha e da Pinacoteca Fundacred em vias de passar á administração municipal por comodato. A AAPIPA estimula por meio do trabalho de seus associados o exercício do voluntariado, e na medida que propõe e co-executa projetos e eventos de interesse das pinacotecas e da população cultiva o desenvolvimento do empreendedorismo cultural.

 

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