3º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea

A Mostra Coletiva do 3º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea reúne obras de dez artistas selecionados por um júri brasileiro, composto por Adriana Boff, Bruna Fetter, Diego Groisman, Paulo Miyada e Patrice Pauc; e um júri francês do
Centre Intermondes, representado por Edouard Mornaud e Flavie Monnier.
     Em sua terceira edição, o Prêmio busca estimular a produção das artes visuais contemporâneas no Rio Grande do Sul, com a missão de dar apoio e incentivo para artistas em início de carreira. Os três vencedores da edição 2019 foram Letícia Lopes
(1º lugar), Alexandre De Nadal, (2º lugar) e Marcelo Chardosim (3º lugar).
     O evento é uma realização da Aliança Francesa Porto Alegre e Ministério da Cidadania, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Timac Agro e apoio do Centre Intermondes e da Prefeitura de Porto Alegre.

     Nesse inconstante jogo que é montar uma exposição de arte, uma das atividades que a mim cabe está a de redigir esse texto, que se convencionou pendurar na parede de entrada de toda mostra. Nesse caso, tenho a impressão de que o mais desafiador desse exercício seja relacionar artistas e obras que, por serem resultantes de um processo seletivo, não necessariamente estão aqui por afinidade. Não quero dizer com isso que os trabalhos escolhidos não tenham convergências, muito pelo contrário.
    Como não poderia deixar de ser, o que conecta os artistas ora reunidos são as pautas pertinentes ao tempo em que vivemos. Os espaços que ocupamos no mundo e a forma com que nos relacionamos com outros seres – humanos ou não – habitantes desse mesmo território e também com os antepassados que aqui estiveram. Estamos falando de sociologia urbana, intervenções em espaços públicos e sobre a ansiedade costumeira a uma paisagem pós-industrial, escassa de silêncios, delimitada por uma arquitetura antissocial e excludente. Estamos falando da retomada da terra, mas também da cultura, de um Brasil cada vez mais polarizado, cada vez mais orientado por autoverdades. É simbólico lembrar que os andares logo acima de nós acolhem o aparato de um sistema instituído que delibera sobre temas que afetam a vida na cidade e, que, em boa medida,
estão na estrutura de todas as obras dessa exposição.
     Aqui embaixo, o porão quase sem janelas e paredes sem reboco se faz presente de forma irrestrita. Esse espaço demanda uma negociação bilateral e aposto que ninguém que teve (ou venha a ter) a experiência de montar uma exposição nesse local
poderá esquecer-se disso. Se essa negociação tiver sido minimamente bem sucedida, nesse caso por conta do 3º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea, as obras aqui expostas precisarão se comunicar – entre si, com o lugar que estão ocupando e com o público presente. Que assim seja.

Diego Groisman
Curador

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