HISTÓRIA  | COLEÇÃO

A Pinacoteca Aldo Locatelli

 

Toda coleção de arte percorre uma trajetória de idas e vindas, altos e baixos que, sob certa perspectiva, pode revelar possibilidades históricas que serão confrontadas pela opinião pública, pelos agentes diretamente envolvidos, e nas esferas estatais, pelos gestores públicos. Como não poderia dexiar este é o caso da Pinacoteca Aldo Locatelli.

 

As origens da coleção remontam à gênese administrativa da própria cidade de Porto Alegre. Já nos fins do século XVIII e ao longo do XIX, a Câmara de Vereadores encomendava quadros, em especial retratos, para adornar suas paredes. A estes era acrescida uma função peculiar, a de evocar o poder político por meio de retratos da família real, de heróis militares e dos presidentes da Câmara. Nestes primórdios da história porto-alegrense, como de resto ocorria em todas cidades brasileiras, a Câmara era responsável por toda a gestão do ambiente urbano. Embora incumbidos de inúmeras funções, os vereadores porto-alegrenses não possuíam sede própria para o seu trabalho e, ao longo do tempo, após sucessivas gestões, muitas obras desapareceram. Entretanto, outras tantas permaneceram e estão integradas à Pinacoteca Aldo Locatelli até hoje. Com o advento da República e a instituição da Intendência - denominada Prefeitura a partir de 1934 - prosseguiram as aquisições de quadros e bustos em bronze, formando um respeitável painel da produção artística local dos inícios do século XX.

 

Assim, desde sua construção, em 1901, o Paço Municipal ostentou obras de arte, de modo que, já nos anos 40, a Pinacoteca era reconhecida pela excelência das obras expostas, mesmo que de forma desordenada, nas diversas salas do imponente palácio. Nos anos 70 passaram a ocorrer exposições sistemáticas deste acervo e o oferecimento de visitas guiadas a escolas. Nesta fase, no âmbito da Pinacoteca, recolheram-se inúmeras obras dispersas por outros prédios da municipalidade, de modo que, mais claramente, tornou-se possível vislumbrar o singular conjunto que assinala principalmente a história da arte rio-grandense. Além do que, incorporou-se uma considerável quantidade, em torno de uma centena, de obras de artistas atuantes em Porto Alegre, oriundos de outros estados e mesmo de estrangeiros que realizaram exposições nas galerias locais. É neste contexto dinâmico, mais precisamente em 7 de novembro de 1974, que a antiga Pinacoteca Municipal recebeu a denominação Aldo Locatelli, em memória ao italiano que desenvolveu sua trajetória no ensino e na produção artística em Porto Alegre, particularmente no âmbito da pintura mural.

 

Apesar destas marcantes iniciativas, já nos final dos anos 70 o acervo perde seu local de exposições no Paço. Poucos anos após, é firmado um acordo entre a Prefeitura e o Governo do Estado, propiciando a transferência “provisória” para o MARGS, que se mudara para a atual e ampla sede da Praça da Alfândega. Os motivos que, em 1982, levaram à transferência das obras estão relacionados à falta de segurança, de equipe especializada e demais condições técnicas para conservação e exposição no Paço. Quando a mudança foi efetivada, sequer haviam sido tombadas as obras pertencentes à Pinacoteca, que passaram ao MARGS sem o necessário acompanhamento técnico por parte da municipalidade, sendo expostas ao público apenas esporadicamente. 

 

O tombamento do acervo vai ocorrer somente no inicio dos anos 90. Neste mesmo período, são iniciadas também a higienização e a restauração das obras mais danificadas. Atualmente, devido a este cuidado, a maior parte do acervo se encontra num excelente estado de conservação. Entre os anos 90 e inícios do novo milênio, as obras são expostas regularmente na Sala Berta-Locatelli, no MARGS, através de curadorias realizadas pela equipe de funcionários da Prefeitura e por convidados. Artistas contemporâneos foram estimulados a realizar exposições em diálogo com obras do acervo, demonstrando a vitalidade das ações museológicas desenvolvidas. Finalmente se retomava o sentido social e público a este patrimônio reunido há mais de um século na capital do Rio Grande do Sul.

 

Com a progressiva incorporação de novas obras - através da premiação em salões, bem como por doações de artistas e de particulares - a Pinacoteca Aldo Locatelli atingiu uma dimensão que o espaço ocupado na reserva técnica do MARGS tornou-se exíguo. Em consequência, a partir da restauração do Paço (2000/2003), as salas da antiga sede da municipalidade voltaram a ser destinadas ao Acervo Municipal. Corroborando recomendações museológicas contemporâneas foi constituída uma reserva técnica devidamente equipada. O projeto museográfico, executado nos locais abertos à visitação, foi pensado tendo em vista receber as mais diversas formas de exposições.

 

Com viabilização dessa estrutura, passaram a ocorrer, sistematicamente, no prédio centenário, exposições de artistas com produção e trajetória reconhecidas e também de obras do acervo, todas com curadoria e produção própria da Equipe do Acervo Artístico. Ato contínuo, foram transferidas as obras restauradas, a partir de 2005, para o Paço, passando a ocupar, enfim, o local a elas destinado. Em 2008 estava consolidado o retorno definitivo da Pinacoteca Aldo Locatelli ao Paço Municipal.

 

Desde então, a Pinacoteca Aldo Locatelli, está cumprindo qualificadamente o seu propósito de disponibilizar o acesso a este conjunto de obras ao olhar e à sensibilidade da população porto-alegrense e aos visitantes da capital gaúcha. No Paço Municipal, a Pinacoteca passou a se integrar definitivamente ao dia-a-dia do cidadão de Porto Alegre. O acesso franqueado à visitação na sede do Executivo Municipal aproxima a arte e a cultura do cotidiano dos freqüentadores do Centro da cidade, integrado a rede de instituições culturais, cativando até mesmo um público inesperado que acorre ao Paço para conhecer o prédio ou tratar de questões administrativas.

 

Por fim, cabe assinalar que a Pinacoteca Aldo Locatelli é um construto permanente e contínuo de trabalho e superação. Basta atentar para sua eterna jovialidade e vigor: é uma coleção viva e aberta que prossegue agregando obras representativas da produção contemporânea.

A Pinacoteca Aldo Locatelli

 

Toda coleção de arte percorre uma trajetória de idas e vindas, altos e baixos que, sob certa perspectiva, pode revelar possibilidades históricas que serão confrontadas pela opinião pública, pelos agentes diretamente envolvidos, e nas esferas estatais, pelos gestores públicos. Como não poderia dexiar este é o caso da Pinacoteca Aldo Locatelli.

 

As origens da coleção remontam à gênese administrativa da própria cidade de Porto Alegre. Já nos fins do século XVIII e ao longo do XIX, a Câmara de Vereadores encomendava quadros, em especial retratos, para adornar suas paredes. A estes era acrescida uma função peculiar, a de evocar o poder político por meio de retratos da família real, de heróis militares e dos presidentes da Câmara. Nestes primórdios da história porto-alegrense, como de resto ocorria em todas cidades brasileiras, a Câmara era responsável por toda a gestão do ambiente urbano. Embora incumbidos de inúmeras funções, os vereadores porto-alegrenses não possuíam sede própria para o seu trabalho e, ao longo do tempo, após sucessivas gestões, muitas obras desapareceram. Entretanto, outras tantas permaneceram e estão integradas à Pinacoteca Aldo Locatelli até hoje. Com o advento da República e a instituição da Intendência - denominada Prefeitura a partir de 1934 - prosseguiram as aquisições de quadros e bustos em bronze, formando um respeitável painel da produção artística local dos inícios do século XX.

 

Assim, desde sua construção, em 1901, o Paço Municipal ostentou obras de arte, de modo que, já nos anos 40, a Pinacoteca era reconhecida pela excelência das obras expostas, mesmo que de forma desordenada, nas diversas salas do imponente palácio. Nos anos 70 passaram a ocorrer exposições sistemáticas deste acervo e o oferecimento de visitas guiadas a escolas. Nesta fase, no âmbito da Pinacoteca, recolheram-se inúmeras obras dispersas por outros prédios da municipalidade, de modo que, mais claramente, tornou-se possível vislumbrar o singular conjunto que assinala principalmente a história da arte rio-grandense. Além do que, incorporou-se uma considerável quantidade, em torno de uma centena, de obras de artistas atuantes em Porto Alegre, oriundos de outros estados e mesmo de estrangeiros que realizaram exposições nas galerias locais. É neste contexto dinâmico, mais precisamente em 7 de novembro de 1974, que a antiga Pinacoteca Municipal recebeu a denominação Aldo Locatelli, em memória ao italiano que desenvolveu sua trajetória no ensino e na produção artística em Porto Alegre, particularmente no âmbito da pintura mural.

 

Apesar destas marcantes iniciativas, já nos final dos anos 70 o acervo perde seu local de exposições no Paço. Poucos anos após, é firmado um acordo entre a Prefeitura e o Governo do Estado, propiciando a transferência “provisória” para o MARGS, que se mudara para a atual e ampla sede da Praça da Alfândega. Os motivos que, em 1982, levaram à transferência das obras estão relacionados à falta de segurança, de equipe especializada e demais condições técnicas para conservação e exposição no Paço. Quando a mudança foi efetivada, sequer haviam sido tombadas as obras pertencentes à Pinacoteca, que passaram ao MARGS sem o necessário acompanhamento técnico por parte da municipalidade, sendo expostas ao público apenas esporadicamente. 

 

O tombamento do acervo vai ocorrer somente no inicio dos anos 90. Neste mesmo período, são iniciadas também a higienização e a restauração das obras mais danificadas. Atualmente, devido a este cuidado, a maior parte do acervo se encontra num excelente estado de conservação. Entre os anos 90 e inícios do novo milênio, as obras são expostas regularmente na Sala Berta-Locatelli, no MARGS, através de curadorias realizadas pela equipe de funcionários da Prefeitura e por convidados. Artistas contemporâneos foram estimulados a realizar exposições em diálogo com obras do acervo, demonstrando a vitalidade das ações museológicas desenvolvidas. Finalmente se retomava o sentido social e público a este patrimônio reunido há mais de um século na capital do Rio Grande do Sul.

 

Com a progressiva incorporação de novas obras - através da premiação em salões, bem como por doações de artistas e de particulares - a Pinacoteca Aldo Locatelli atingiu uma dimensão que o espaço ocupado na reserva técnica do MARGS tornou-se exíguo. Em consequência, a partir da restauração do Paço (2000/2003), as salas da antiga sede da municipalidade voltaram a ser destinadas ao Acervo Municipal. Corroborando recomendações museológicas contemporâneas foi constituída uma reserva técnica devidamente equipada. O projeto museográfico, executado nos locais abertos à visitação, foi pensado tendo em vista receber as mais diversas formas de exposições.

 

Com viabilização dessa estrutura, passaram a ocorrer, sistematicamente, no prédio centenário, exposições de artistas com produção e trajetória reconhecidas e também de obras do acervo, todas com curadoria e produção própria da Equipe do Acervo Artístico. Ato contínuo, foram transferidas as obras restauradas, a partir de 2005, para o Paço, passando a ocupar, enfim, o local a elas destinado. Em 2008 estava consolidado o retorno definitivo da Pinacoteca Aldo Locatelli ao Paço Municipal.

 

Desde então, a Pinacoteca Aldo Locatelli, está cumprindo qualificadamente o seu propósito de disponibilizar o acesso a este conjunto de obras ao olhar e à sensibilidade da população porto-alegrense e aos visitantes da capital gaúcha. No Paço Municipal, a Pinacoteca passou a se integrar definitivamente ao dia-a-dia do cidadão de Porto Alegre. O acesso franqueado à visitação na sede do Executivo Municipal aproxima a arte e a cultura do cotidiano dos freqüentadores do Centro da cidade, integrado a rede de instituições culturais, cativando até mesmo um público inesperado que acorre ao Paço para conhecer o prédio ou tratar de questões administrativas.

 

Por fim, cabe assinalar que a Pinacoteca Aldo Locatelli é um construto permanente e contínuo de trabalho e superação. Basta atentar para sua eterna jovialidade e vigor: é uma coleção viva e aberta que prossegue agregando obras representativas da produção contemporânea.

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