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RAIZ QUE SE ALASTRA

Árvores sagradas atravessam os tempos, reunindo as energias das memórias imateriais para proteger sob suas copas pertences valiosos que se estendem pelas terras, fincando resistência a qualquer uma das intempéries, possibilitando que os obstáculos sejam enfrentados, com as sabedorias ancestrais que são repassadas de geração em geração. Em tempos controversos, a cura e a coragem solicitam mais de nós, e seguimos recuperando nosso fôlego para vislumbrar e construir futuros em solo-sul-brasileiro onde a presença negra não seja mais silenciada e onde o mito de uma cultura estritamente eurocentrada seja desmanchado. 

 

A liberdade do povo negro tem sido conquistada com luta e suor, além das inssureições, os quilombos, o direito à educação, a ocupação de cargos de liderança, a contribuição cultural, a música, a dança, a escrita e a arte - tudo que fizermos fomenta a nossa resistência, pluralidade e potência. Seria impossível estar aqui sem os caminhos abertos e as estratégias de nossos ancestrais e intelectuais contemporâneos. Ser sujeito e protagonista da própria história é algo revolucionário. 

 

A exposição RAIZ QUE SE ALASTRA tem a honra de celebrar os mais de 87 anos de existência do artista plástico Pelópidas Thebano Ondemar Parente. Depois dos mais de 50 anos exercidos no serviço estadual como desenhista técnico, o artista dedicou-se à pintura, ganhando projeção e reconhecimento. A fusão de cores fortes e vibrantes é característica que assina suas pinturas, demonstrando o domínio pleno de Pelópidas Thebano sobre a teoria da cor. Os elementos figurativos, linhas, formas geométricas e abstracionismos guiam o olhar por cenas de enredos em diferentes perspectivas, como mosaicos, pulsando uma visão ancestral através de tons análogos e complementares. Além disso, é possível perceber que Pelópidas Thebano se vale de diferentes técnicas e materiais, como cola colorida, sobreposição de pinturas e hachuras. O continente africano é tema recorrente em suas obras, o que revela a perpetuação da sua ligação com a ancestralidade, trazendo  para a atualidade e para as futuras gerações o contato com a cultura afro, suas riquezas e seus ensinamentos.

 

Seguindo uma sequência cronológica, nos 90, na produção de Pelópidas Thebano se destacam os trabalhos em nanquim, onde os casarios antigos/coloniais são presentes em suas criações. No começo dos anos 2000, foi convidado pelo artista plástico Américo Souza para fazer parte de um grupo composto por atistas negros (Pedro Homero, Sílvia e Tânia), fato que marca na trajetória de Pelópidas Thebano a proximidade com reflexões sobre a história da África, identidade negra e a conscientização do valor e da riqueza cultural dos negros, contribuições que são perceptíveis em seus trabalhos em pintura. Em 2009, imerge nas discussões sobre religiões de matriz africana, a partir do projeto Monumenta, onde o artista integra a equipe que concebeu as obras de arte em espaços públicos de Porto Alegre, as quais compõem o Museu do Percurso do Negro, como o Tambor, o Painel Africano e o Bará do Mercado. Além disso, em sua mais recente fase de criação, demonstrou interesse pelo campo da arte e tecnologia,  elaborando obras no formato digital, a partir de softwares de edição. 

 

Valorizar e evidenciar a trajetória de Pelópidas Thebano é reconhecer sua força como griô, aquele que transmite conhecimentos sagrados, alastrando sua sabedoria como raízes que são capazes de fazer elos entre os antepassados e os que virão. Suas obras convocam e preservam o poder das histórias da diáspora africana, das origens,  das mitologias africanas, a partida forçada dos negros africanos para o Brasil, o trabalho nas lavouras, charqueadas e a inserção nos negros nas grandes cidades. 

 

É fundamental a conscientização, a revisão de privilégios e a responsabilização, para preencher as lacunas, enaltecer trajetórias e constituirmos uma nova configuração no campo das artes visuais no Brasil. Ser artista e negro é um ato político, movimento contra-hegemônico de revisar acessos e acervos de espaços, galerias e instituições de arte. Se as imagens têm poder, nada mais justo do que a pluralidade de narradores-artistas, dialogando suas poéticas e despertando olhares para seus universos. 

 

 A exposição RAIZ QUE SE ALASTRA conta com curadoria de Mitti Mendonça e tem como objetivo abordar a produção artística e a trajetória de Pelópidas Thebano, artista plástico porto-alegrense, homenageado do XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. A programação acontece de 03 de novembro até 20 de dezembro de 2021 pelo instagram.com/artesvisuaispoa.


 

SOBRE O ARTISTA

 

Pelópidas Thebano Ondemar Parente nasceu em Porto Alegre/RS, 23 de abril de 1934. É filho de Antônio Augusto Waldemar Parente e Ondina Silva Parente. Durante o período que estudou no Colégio Rosário, ganhou o primeiro lugar e um concurso de desenho e duas menções honrosas no concurso estadual patrocinado pela Liga de Defesa Nacional no período de 1946 a 1947. Fez carreira no serviço público estadual, onde atuou como desenhista técnico profissional. Entre as décadas de 1950 e 1970, foi figurinista de blocos de carnaval e, desde então, passou a ser reconhecido como artista plástico. Fez parte da equipe que concebeu as obras de arte em espaços públicos que compõem o Museu do Percurso no Negro. A primeira etapa do Museu, concluída no ano de 2011, foi realizada por diversas entidades, sob a coordenação gestora do Grupo de Trabalho Angola Janga. Nessa etapa o Museu fazia parte do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura (MinC), executado com recursos da União, de estados e de municípios, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e cooperação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da UNESCO.

 

Em sua trajetória, Pelópidas Thebano conta com exposições na Câmera Municipal de Porto Alegre (2004), onde foi homenageado com o Prêmio Quilombo dos Palmares na Modalidade Atuação Artística e Cultural, Fórum Social Mundial (Porto Alegre, 2001 e 2002) Santander Cultural, Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Rio Grande do Sul (IAB-RS) (2011), exposição coletiva Porto Negro Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (2016), Memorial Carlos Alberto de Oliveira (2019) e Homenageano do XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas Porto Alegre (2021).

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