Exposições anteriores

Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e Oi apresentam:

lENTO CREPÚSCULO
CHICO SOLL, fERNANDA MEDEIROS E GABRIEL CEVALLOS

É dramático o caso daqueles que perdem bruscamente a visão: se trata de uma interrupção, de um eclipse; entretanto, no meu caso, esse lento crepúsculo começou quando comecei a ver. (Jorge Luís Borges)

 

A metáfora que o escritor argentino Jorge Luís Borges utilizou para descrever o processo de sua cegueira tem um significado semelhante para esta exposição. Entretanto, ao contrário do escritor, nossa cegueira é catalisada por um mundo caótico e ubíquo; abundante de imagens, de estímulos, de informações, de discursos, de crises e de sentimentos. 

 

O Lento Crepúsculo é sobre a capacidade de enxergar e sentir o mundo, de como lidamos com as pressões e excessos que transbordam em nossa vida e se tornam invisíveis, normalizados e negligenciados. Para nós, cabe investigar a metáfora por trás dessa cegueira lenta e gradual, e dos riscos de ignorar as pressões e os excessos do mundo. 

 

Nos deparamos diariamente com uma espécie de saturação generalizada: a informação é tão excessiva que já não conseguimos mais diferenciá-la; produzimos muito mais do que consumimos e a marca humana no planeta já é irreversível; utilizamos a liberdade da expressão sem fronteiras para propagarmos também o ódio sem limites; abrimos a torneira e deixamos a fonte esgotar. 

 

São tantos recursos para estar perto do que se está longe e tantos outros para nos afastar do que está diante de nós. Nunca tanta gente falou tanto, mas será que tem alguém enxergando? E, se está vendo, alguém realmente está compreendendo o que os outros têm a dizer?  

 

É preciso descobrir se as imagens ainda servem para nos confrontar com os fatos e produzir empatia ou se elas nos entregam as maravilhas e os horrores do mundo sem que seja preciso vivê-los. E assim, chegamos em um estado onde enxergamos mas não vemos, sentimos os vultos mas não reagimos. Há quem diga que a hora já passou, mas passou mesmo?

 

Chico Soll, Fernanda Medeiros e Gabriel Cevallos

Porto Alegre, 04 de dezembro de 2018

© 2018. Criado por didijuca.com para PINACOTECAS DE PORTO ALEGRE.